terça-feira, 20 de outubro de 2009

CIDADE OCUPADA EM NOVEMBRO


A cultura hip hop invade os mais diferentes espaços, tomando conta da cidade neste final de semana. Trata-se do Festival Cidade Ocupada 2009, em sua segunda edição, que reúne em Macaé diversos segmentos do gênero, contando com a participação de dezenas de companhias de dança brasileiras e francesas. Numa promoção do Centro Integrado de Estudos do Movimento Hip Hop (Ciemh2), o festival integra oficialmente a programação do Ano da França no Brasil, através da certificação do Ministério da Cultura (Brasil) e Cultures France (França), e conta ainda com o patrocínio local da secretaria Municipal de Turismo, Esporte e Lazer.

O evento acontecerá de 08 a 11 de novembro.

Cidade Ocupada 2009
O "Cidade Ocupada" consiste na promoção de um campo de diálogo e estética da Cultura Hip Hop. Diferente dos festivais do gênero, o foco do projeto está na valorização das danças e culturas vizinhas que emergem desta linguagem. Ocupando pontos estratégicos da cidade, contribuindo com esta interferência na humanização de espaços públicos, o projeto visa ainda revigorar o papel do artista nestes espaços. O evento sugere um encontro político entre a arquitetura (a cidade) e o corpo que dança.

O 2º Festival Cidade Ocupada conta desta vez com a participação dos seguintes artistas nacionais e franceses: Membros Cia de Dança (Macaé: Brasil); DI Cia de Dança (Macaé: Brasil); URB Crew de Dança (Macaé: Brasil); Lakka (Uberlândia-MG: Brasil; Cia Híbrida (Rio de Janeiro: Brasil); Cie. Farid' O (Ille: França); Renato Negrão (Belo Horizonte-MG: Brasil); Projeto Benin-Brasil; Projeto França Brasil; Crew Graffiti em Movimento; Banda Art.1; MC Slow; VJ Xyu e os DJs Avellar, Nino e Marlom.

Membros (Macaé)

Reconhecida por tratar a dança como manifestação política, a Membros Cia de Dança tem seu foco na pesquisa de linguagem e se orienta neste contexto a partir do eixo ' violência'. A Companhia, também Escola de Formação em Dança, apresentou seus trabalhos em 18 países, mas todo seu processo de formação se organizou e se desenvolveu na cidade de Macaé desde 1999.

A Membros apresenta a coreografia ‘Meio-Fio’, que a partir de jogos de movimentos, improvisação e frases coreográficas pré-elaboradas, dialoga com o espaço urbano revelando uma convulsão social típica dos países que experimentaram o perverso processo de colonização e o atual quadro de desigualdades sociais. A direção é de Paulo Azevedo; coreografia de Taís Vieira; produção de Yaisa Santos; tendo como intérpretes-criadores Aline Corrêa, Fabiana Costa, Filipe Itagiba, Jean Gomes, Jhôsie Marla, Julius Mack, João Carlos Silva, Luiz Henrique, Zanzibar Luís e Rogério de Araújo.


DI Cia de Dança (Macaé)
A experiência do grupo DI Cia de Dança está pautada no processo conceituado como dança inclusiva - dança que envolve em cena pessoas com e sem deficiências. Mas a sigla DI propõe suscitar uma definição infinita para este processo. O grupo já se apresentou na Espanha e Alemanha, sendo ainda vencedor por duas vezes de Prêmios da Funarte e do Rumos Educação, Cultura e Arte promovido pelo Itaú Cultural.

O grupo apresenta a coreografia: ‘Procedimento II-Urbano’, que é um processo derivado da pesquisa 'Pseudópodos' (Procedimento II), que se desenvolveu da percepção deste procedimento, aproximando artista e público a partir de um jogo e de uma relação espontânea. A coreografia passeia entre o lúdico e a poesia, tendo como autor e diretor Paulo Azevedo. Os intérpretes-criadores são Aline Negreiros, Ariana Mota, Éverton Viana, Jonas Leonardo, Rafael Mata, Renato Mota e Taís Santos; numa produção e orientação pedagógica de Dilma Negreiros.

URB (Macaé)
A URB, abreviação de urbanos, orienta seu desenvolvimento através de dinâmicas de investigação e experimentação constantes no espaço urbano. Desses contatos mobiliza um processo recorrente entre fluxo e refluxo dos gestos e movimentos compreendidos no corpo (ou fora dele). O grupo foi recentemente convidado a participar do Festival TransformArte na Bolívia.

A coreografia ‘Urbe’ (work in progress) também tem como autor e diretor Paulo Azevedo; Assistente de coreografia Jonas Rangel; e intérpretes-criadores Carla Bazane, Denis Carvalho, Gleidson Mota, Jonas Rangel, Rafael Souza, Ramon Bueno

Lakka (Uberlândia-MG)
Lakka é criador-intérprete premiado pela APCA(2005). Ele é mestrando em Artes no PPGArtes-UFU e Bacharel em Ciências Sociais-UFU, membro da RSD (Rede Sudamericana de Danza) compõe GT criação e intercâmbio. No Brasil apresentou-se em festivais e programas como: PanoramaRioArte-RJ, FID-BH, Novadança-DF, Masculino na Dança- SP, Panorama SESI de Dança-SP, Rumos da Dança Itaú Cultural-SP, Bienal Internacional de Dança do Ceará-CE e Festival Internacional de Dança de Recife-PE. Apresentou-se também e ministrou oficinas na Alemanha, Venezuela, Uruguai, Equador, Peru, Bolívia, Espanha, Suécia e Costa Rica. Realiza desde 2004 o Circuladança em Minas Gerais.

Lakka apresenta a coreografia ‘O Corpo é a mídia da dança’, de autoria de Vanilton Lakka e Maurício Leonard, sob a direção de Vanilton Lakka.

Cia Híbrida (Rio de Janeiro-RJ)
A Companhia Híbrida foi criada em 2007 na cidade do Rio de Janeiro, tendo a frente o bailarino e coreógrafo Renato Cruz. A pesquisa da companhia sugere o estudo da técnica da dança de rua, com todos os seus afluentes e estilos no contexto contemporâneo, para o desenvolvimento de um produto híbrido e criativo. A Cia desenvolve, ainda, o projeto em hospitais "Arte é o Melhor Remédio".

A sua ação neste evento intitula-se ‘Ponto de Parada’, sob a direção de Renato Cruz, e participação de Beatriz Monteiro, Cleiton Gonçalves, Marlon Leonardo, Natan Rodrigues e Yuri de Moraes.

Cie. Farid' O (Ille-França)
Farid vive e trabalha em Ille (cidade do Norte da França que viveu intenso processo de imigração e os problemas da ´integração. Ele é filho destes imigrantes e se formou em teatro, circo e dança. O resultado de suas investigações se baseia no jogo da dança e textos como em Syntracks (2003); La nuit juste avant (2004); Être dans la rue (2006); Saleté (2006/07). A companhia Farid´O se apresentou em diversos festivais pela Europa. A coreografia a ser apresentada em Macaé é ‘Etre dans la rue, de autoria e direção de Farid Ounchiouene, tendo como intérpretes Ludovic Tronche, Jérémy Orville, Al Hassane latarne; e contando ainda com o músico e técnico Omur. H.

Segundo uma leitura sociológica de Stéphane Beaud et Yones Amrani, o coreógrafo propõe uma reflexão crítica de processo de imigração nos bairros franceses.

Renato Negrão (Belo Horizonte-MG)
Renato Negrão é poeta e artista performador. Ministra a oficina 'Palavra Imagem', valendo-se da poesia e das estratégias da arte contemporânea, recebendo por este trabalho o prêmio Itaú Rumos Educação, Cultura e Arte 2008/2010. No Brasil, trabalhou com técnicas de expressão corporal baseadas na capoeira, na obra de Wilhelm Reich e da dança Butô. Como performer, participou, dentre outros eventos, da Momentum, a dança em paisagens deslocadas (2006) e da MIP 2 - Manifestação Internacional da Performance de Belo Horizonte (2009).

Ele ministra o workshop ‘Palavra Gesto’, um espaço coreográfico da palavra e sua aplicabilidade semântica são pensados como estímulo a novas configurações corporais.

Projeto Hip Hop França-Brasil
A participação do projeto Cidade Ocupada dentro da Programação do Ano da França no Brasil se deve, sobretudo, ao reconhecimento internacional da Cia. Membros. Coreografia: Flores (work in progress). Após realizar 10 anos de trabalho com a Membros, a coreógrafa Taís Vieira concebe sua nova criação para espaços urbanos amparada pela possibilidade de releitura de suas principais obras – Estátuas; Linguagem; Meio-fio, Raio-X; Febre e Medo. A coreografia e direção são de Taís Vieira, tendo como intérpretes: Carla Bazane, Bianca Monteiro (Bia Popper), Tishou Kane, Johana Faye e Christine Nypan; Co-produção da ACT' ART; produção de Rafael Souza e
Marine Budin, e intérprete Cecilia Fernandez.

Projeto Benin-Brasil
Neste evento, a participação do projeto Benin-Brasil, através da coreografia ´Corpo Aberto´ - de autoria do professor Paulo Azevedo - é considerada uma programação especial dentro do ´Cidade Ocupada´. Depois de passar pela França e pelo Benin, o projeto se apresenta pela primeira vez no Brasil. A coreografia ‘Corpo Aberto’ leva em consideração o conceito de ´antropofagia´- resultado de uma cultura após a mesma ser devorada por outra. Desta interface surge processos recorrentes a partir da dança que se estruturam do diálogo entre festa e religião na diáspora Brasil-Benin. Os intérpretes-criadores são Aranaud Agboliagbo, Fabiana Costa e Rafael da Mata.

Paulo Azevedo
Assim como o poeta Renato Negrão, Paulo Azevedo é um dos contemplados do Prêmio Itaú Rumos Educação, Cultura e Arte 2008/2010, pelo trabalho desenvolvido com a DI Cia de Dança. Mestre em Políticas Sociais, graduado em Educação Física, Paulo Azevedo já contribui com propriedade para a Dança, a Música, a Comunicação, a Produção Cultural, o Cinema e a Literatura. É escritor de cinco livros, sendo o último deles ´MEMBROS´, organizado junto a coreógrafa Taís Vieira. Representou o Brasil em eventos como o WCPRC, na Suécia (2007) junto a banda ART.1 e na conferência ´Centro e periferia: a produção da dança contemporânea hoje', em Oslo (Noruega, 2008).

Seus estudos se concentram em cinco eixos de investigação: ´Corpo e Violência´; ´Cultura Urbana e Cidades´; ´Metodologia inclusiva na dança´; Memória e Identidade no corpo´ e ´Políticas sociais, juventude e exclusão social´.Ele participa como mediador da mesa redonda ´A cidade e o papel do artista na contemporaneidade´, onde o professor Paulo Azevedo junto aos convidados levam o público a uma reflexão sobre a ação dos artistas na cidade.

Convidados especiais
Participam ainda do festival a Crew Graffiti em Movimento, conduzida pelos grafiteiros Ric e Faw apresentando sua obra ´Zeros Econômicos´; Banda Art.1, que revela algumas canções inéditas do próximo CD na abertura oficial do evento; DJ Nino, Um dos melhores DJs do cenário Hip Hop; MC Slow, o mais criativo dos MCs nacionais; VJ Xyu; DJ Avellar; e DJ Marlom.

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